(Escrevi este texto em 30/01/2001)
Cano longo, prateado, cabo de marfim. Tiros incontáveis, nunca terminam. Preso em uma linda luva branca que cobre uma firme e máscula mão. Mão de homem branco com seu uniforme azul, montando um cavalo branco, necessário a todo herói. Sim refiro-me a John Weyne, seu cavalo, seu revolver sua causa.Quando criança milhares ou milhões de guris mais eu queria-mos apenas ser igual a Ele e matar muitos índios, chutar malfeitores, saber o momento certo de chegar e sair,intimidar ao inimigo apenas com o olhar e nossos quase dois metros de altura ou mais. Saíamos da frente da TV já vestidos com nossos coldres e cavalos de cabo de vassoura a correr pelo pátio dando tiros à esmo e matando inimigos fictícios.Agora ao descer do meu automóvel em frente a minha garagem estou na frente de um revolver, não como aquele. Cano curto preto e sem cabo de marfim. Vejo parte de seu cabo porque a mão que o empunha é pequena, adolescente quase, mas os olhos que estão atras da mira me assustam, lembram os olhos frios, sofridos e raivosos do grande chefe Jerônimo. São segundos intermináveis. Pergunto-me: Porque a raiva? A arma deixa qualquer um estático, mas pensando bem ,se é que é possível nessa situação, o que me apavora é seu olhar sua expressão. Porque eu se não nos conhecemos? Será que tenho algo que ele sempre desejou e não conseguiu? Será que represento os responsáveis por ele se encontrar nesta situação? Poderia ser uma brincadeira, ele puxaria o gatilho e do cano sairia um bandeirinha escrito "bang". Iriamos rir juntos mas caio na real e ele ainda está aqui. John Wayne não atiraria em alguém desarmado . jogaria a arma fora e resolveria tudo com os punhos. Neste momento ouço o estampido. Minhas pernas se curvam, levo a mão ao peito e sinto o sangue jorrar. Caindo ao chão olho-o por inteiro e vejo sua camiseta e penso:
-- Mas que droga! Ele não tem idade para ter visto John Wayne , ele é fã do Máquina Mortífera....
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